No jornal OGLOBO de 04.02.2012 foi publicada matéria de José Miguel Wisnik, que fala, de forma muito interessante, sobre a cultura da gambiarra carioca, aludindo com maior ênfase a recente tragédia dos edificios que desmoronaram no centro da cidade do Rio de Janeiro.
Nos permitimos acrescentar que, talvez essa cultura nao seja somente carioca, não que a desejemos para os demais brasileiros. Na minha visão, a gambiarra é um genero do chamado "jeitinho brasileiro", que deve continuar a existir, mas no caminho do bem.
Na matéria citada, a relevância, até por óbvio, foram as desculpas "esfarrapadas" e estórias ,quase inacreditáveis, de situações que acabaram redundando na horrível tragédia.
Ora, a região era uma lagoa, tinha até jacarés, mas ali foi construída parte importante da cidade.
Até aí se compreende dentro da própria evolução da engenharia.
Até aí se compreende dentro da própria evolução da engenharia.
As obras ocorreram, foram efetuadas modificações estruturais relevantes nos edificios, ao longo das últimas décadas, e muitas sem acompanhamento de profissional técnico de engenharia. Vide a que estava em andamento quando o edificio ruiu.
Mas não é somente nas construções do centro do Rio, e não somente na engenharia que isso ocorre.
Outros setores também trabalham na gambiarra, os quais refletem a baixa qualidade no atendimento do comércio e serviços, tanto na esfera pública quanto no setor privado: táxis, transportes público em geral, infraestrutura, segurança, educação, saúde, morosidade no Judiciario, comércio ilegal de toda ordem, flanelinhas....
Outro exemplo são as centrais de atendimento, que se tornaram refúgio de empresas e instituições que se escudam num péssimo, árido e inócuo atendimento telefonico, e nada resolvem. Gambiarra que lembra um parlatório mudo e sem diálogo, além de insensível às reclamações.
Retomando a recente tragédia, será que os escritorios localizados nos edificios desmoronados possuiam arquivos de sua clientela, e dados em arquivos virtuais? Outra gambiarra, mesmo que de menor potencial ofensivo.
O seguro dos imóveis não incluem o desmoronamento. Mais gambiarra.
Talvez se utilizassemos o básico que a evolução humana oferece não sofressemos tanto, e não tivessemos que passar por essas calamidades que, pelo menos, seriam minimizadas.
Algumas expressões que são chaves da miséria e que alimentam a cultura da gambiarra:
NÃO TEM JEITO.
É ASSIM MESMO.
PODERIA SER PIOR.
MELHORAR E PREVENIR PARA QUE? ESTÁ BOM ASSIM.
NÃO TEM JEITO.
É ASSIM MESMO.
PODERIA SER PIOR.
MELHORAR E PREVENIR PARA QUE? ESTÁ BOM ASSIM.
Estas frases são sínteses dos desiludidos, desesperançados e daqueles que exploram a miséria dos outros.
MENOS TRAGÉDIAS E SOFRIMENTOS . NÃO A CAMBIARRA!
TUDO PODE SER MELHOR E DIFERENTE.
SE ESTÁ BOM, PODE FICAR MELHOR.
E PREVENÇÃO FAZ BEM E PODE EVITAR TRAGÉDIAS.
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